Quando o Amazonas corria para o Pacífico
Quando o Amazonas corria para o Pacífico
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Houve um tempo em que o rio Amazonas corria para o Oeste e desaguava no Oceano Pacífico. Após separar-se da África e antes de se ligar à América do Norte, por milhões de anos a América do Sul permaneceu isolada, como uma ilha imensa. Suas plantas e animais evoluíram diferentemente dos demais continentes. Com o soerguimento dos Andes, um grande mar interior – onde viviam jacarés de 30 metros, tubarões de água doce e estranhos golfinhos – recobriu parte da Amazônia. O grande rio inverteu seu curso para o Leste, em direção ao Atlântico. Então surgiu o istmo do Panamá, ligando as Américas, e a região assistiu a uma invasão de espécies do Norte: felinos, camelos, herbívoros, roedores. E muito depois, pelo mesmo caminho, chegaram caçadores coletores e povoaram a Amazônia em levas sucessivas.
Os povos amazônicos não edificaram com rochas, nem descobriram como extrair metais; não inventaram a roda e viveram na idade da pedra lascada. Não tinham escrita. Seus vestígios estão na humanização das florestas, em marcos vivos, como os castanhais do Pará, as florestas de bambu do Acre, os cerrados na fronteira com o Suriname. Os espanhóis descobriram a América e foram os primeiros a chegar na Amazônia. Pelo Tratado de Tordesilhas, toda bacia estava em seus domínios. Eles eram os senhores da Amazônia, de direito e de fato. O que os impediu de ocuparem e povoarem o rio Amazonas, percorrido da nascente à foz por diversas expedições espanholas? Como pôde uma região de milhões de quilômetros quadrados, descoberta por espanhóis e em seu legítimo domínio, ser incorporada legalmente ao Brasil, de forma tão pacífica? A incorporação da Amazônia ao território brasileiro não foi obra do acaso. Este livro também revela os caminhos pelos quais a Coroa portuguesa conquistou esse território, situado originalmente no domínio espanhol. O leitor vai descobrir uma história recheada de estratégia geopolítica, meandros inesperados, tragédias, heróicas surpresas, episódios ocultos, aventuras guerreiras e religiosas ao longo de mais de três séculos.
Os povos amazônicos não edificaram com rochas, nem descobriram como extrair metais; não inventaram a roda e viveram na idade da pedra lascada. Não tinham escrita. Seus vestígios estão na humanização das florestas, em marcos vivos, como os castanhais do Pará, as florestas de bambu do Acre, os cerrados na fronteira com o Suriname. Os espanhóis descobriram a América e foram os primeiros a chegar na Amazônia. Pelo Tratado de Tordesilhas, toda bacia estava em seus domínios. Eles eram os senhores da Amazônia, de direito e de fato. O que os impediu de ocuparem e povoarem o rio Amazonas, percorrido da nascente à foz por diversas expedições espanholas? Como pôde uma região de milhões de quilômetros quadrados, descoberta por espanhóis e em seu legítimo domínio, ser incorporada legalmente ao Brasil, de forma tão pacífica? A incorporação da Amazônia ao território brasileiro não foi obra do acaso. Este livro também revela os caminhos pelos quais a Coroa portuguesa conquistou esse território, situado originalmente no domínio espanhol. O leitor vai descobrir uma história recheada de estratégia geopolítica, meandros inesperados, tragédias, heróicas surpresas, episódios ocultos, aventuras guerreiras e religiosas ao longo de mais de três séculos.
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